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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Tensoativos - Breve Histórico do Mercado


O mercado de tensoativos nos últimos anos 60 anos mudou muito. Nos anos 1940 a produção de tensoativos (da ordem de 1,6 Mt) se limitava essencialmente aos sabões (sais de ácidos graxos) produzidos de acordo com uma tecnologia antiga.
Ao final da segunda guerra mundial, as olefinas curtas se tornaram mais disponíveis no mercado como resíduo de produção de combustíveis e petroquímicos. Em especial, foram obtidas grandes quantidades de propeno (subproduto do craqueamento catalítico do petróleo), que, na época, tinha poucas aplicações. O baixo custo dessas olefinas permitiu substituir os ácidos graxos por radicais alquila sintéticos obtidos pela polimerização do propeno. Assim, nasceram os detergentes sintéticos do tipo alquibenzeno sulfonato, que substituíram os sabões em máquinas de lavar roupa, em lavagem de pratos e em outras aplicações domésticas.
Na década de 1950, o desenvolvimento de novos processos de craqueamento permitiu a fabricação de eteno como matéria-prima de polímeros e para a produção de óxido de eteno e, consequentemente, dos tensoativos etoxilados.
A partir de 1965, novas leis de proteção ambiental limitaram a utilização de polímeros de propileno ramificados na fabricação de tensoativos sintéticos em virtude de sua baixa biodegradabilidade, o que provocava problema de alteração nas cadeias alimentares nos ecossistemas e a formação de espuma estável e resistente, por dias, em rios com quedas de água. Desde então, os produtores de tensoativos tiveram que se adaptar a novas matérias-primas, como os polímeros lineares de propileno e alquil benzeno sulfonatos, que são hoje os tensoativos sintéticos de menor custo do mercado.
Nos anos 1970 houve uma proliferação de fórmulas novas e uma grande diversificação do mercado industrial e doméstico. Especialmente no Brasil, o uso de sabonetes e xampus cresceu pela substituição dos sabões no banho. Nessa mesma época o consumo de sabões em pó acompanhou o crescimento da demanda por máquinas de lavar, substituindo os sabões em barra. Os desinfetantes, bem como os produtos para limpeza de cozinha, passaram a ser utilizados pelo grande público. Com o crescimento desses produtos específicos, os sabões deixaram de representar mais da metade da produção de tensoativos como acontecia até a década anterior.
Nos anos 1980 os tensoativos catiônicos (em formulações de amaciantes para roupa e condicionadores para cabelo) passaram a ser utilizados em grande escala pelos consumidores domésticos e os tensoativos anfóteros apareceram no mercado, na forma de xampus de baixa irritabilidade (infantis) ou como cotensoativos em formulações de detergentes e cosméticos.
A década de 1990 foi marcada pela grande diversificação de formulações cosméticas e de detergentes, com produtos específicos para higiene de diferentes partes do corpo e da casa, bem como produtos inexistentes anteriormente, como os cremes para pentear e os limpadores específicos para banheiro.
A vertente mais marcante nos anos 2000 tem sido a sustentabilidade, principalmente com a substituição de tensoativos  com maior percentual de matérias-primas de origem vegetal e a redução de uso de tensoativos cuja biodegradação possa gerar resíduos deletérios ao meio ambiente.

Fonte: Tensoativos: Química, propriedades e aplicações
Daltin, Decio

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