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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Tipos de Tensoativos


As principais categorias dos tensoativos são:

- Aniônicos 
Possuem cargas negativas e constituem a maior classe de tensoativos e são os mais comuns. Um desses tensoativos é o lauril sulfato de sódio, provavelmente o surfactante mais usado nas indústrias cosméticas, por ser um eficiente detergente com alto poder de espuma ao mesmo tempo que é uma matéria-prima relativamente barata. 
Em concentrações elevadas pode desencadear irritação no couro cabeludo e na pele.

- Catiônicos 
Possuem cargas positivas e reduzem a tensão superficial da água, ou ainda a tensão entre dois líquidos que não se misturam, como água e óleo. Promovem o emulsionamento desses líquidos, que são usados em máscaras e cremes condicionadores para cabelos. Entre os agentes catiõnicos mais utilizados no mercado estão o Cloreto de Cetrimônio, o Cloreto de Behentrimônio, o Metosulfato de Behetrimônio.

- Não-Iônicos 
Não possuem carga ionizável. Além de possuir características compatíveis com a maioria das matérias-primas, possuem baixa irritabilidade (podem ser muito suaves), alto poder de redução da tensão superficial e interfacial (solubilização), mas apresentam pouca capacidade de detergência e espumação. 

- Anfóteros 
Podem ter cargas positivas ou negativas, como podem não ter carga ionizável e pela definição, anfóteros são zwiteriônicos, ou seja, podem ser protonados, adquirindo carga positiva em meio ácido e, em meio alcalino perdem próton apresentando carga negativa. Eles também possuem função detergente, sendo menos irritantes que outras classes de tensoativos. São comumente usados como detergentes primários em formulações suaves.


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Tensoativos - Breve Histórico do Mercado


O mercado de tensoativos nos últimos anos 60 anos mudou muito. Nos anos 1940 a produção de tensoativos (da ordem de 1,6 Mt) se limitava essencialmente aos sabões (sais de ácidos graxos) produzidos de acordo com uma tecnologia antiga.
Ao final da segunda guerra mundial, as olefinas curtas se tornaram mais disponíveis no mercado como resíduo de produção de combustíveis e petroquímicos. Em especial, foram obtidas grandes quantidades de propeno (subproduto do craqueamento catalítico do petróleo), que, na época, tinha poucas aplicações. O baixo custo dessas olefinas permitiu substituir os ácidos graxos por radicais alquila sintéticos obtidos pela polimerização do propeno. Assim, nasceram os detergentes sintéticos do tipo alquibenzeno sulfonato, que substituíram os sabões em máquinas de lavar roupa, em lavagem de pratos e em outras aplicações domésticas.
Na década de 1950, o desenvolvimento de novos processos de craqueamento permitiu a fabricação de eteno como matéria-prima de polímeros e para a produção de óxido de eteno e, consequentemente, dos tensoativos etoxilados.
A partir de 1965, novas leis de proteção ambiental limitaram a utilização de polímeros de propileno ramificados na fabricação de tensoativos sintéticos em virtude de sua baixa biodegradabilidade, o que provocava problema de alteração nas cadeias alimentares nos ecossistemas e a formação de espuma estável e resistente, por dias, em rios com quedas de água. Desde então, os produtores de tensoativos tiveram que se adaptar a novas matérias-primas, como os polímeros lineares de propileno e alquil benzeno sulfonatos, que são hoje os tensoativos sintéticos de menor custo do mercado.
Nos anos 1970 houve uma proliferação de fórmulas novas e uma grande diversificação do mercado industrial e doméstico. Especialmente no Brasil, o uso de sabonetes e xampus cresceu pela substituição dos sabões no banho. Nessa mesma época o consumo de sabões em pó acompanhou o crescimento da demanda por máquinas de lavar, substituindo os sabões em barra. Os desinfetantes, bem como os produtos para limpeza de cozinha, passaram a ser utilizados pelo grande público. Com o crescimento desses produtos específicos, os sabões deixaram de representar mais da metade da produção de tensoativos como acontecia até a década anterior.
Nos anos 1980 os tensoativos catiônicos (em formulações de amaciantes para roupa e condicionadores para cabelo) passaram a ser utilizados em grande escala pelos consumidores domésticos e os tensoativos anfóteros apareceram no mercado, na forma de xampus de baixa irritabilidade (infantis) ou como cotensoativos em formulações de detergentes e cosméticos.
A década de 1990 foi marcada pela grande diversificação de formulações cosméticas e de detergentes, com produtos específicos para higiene de diferentes partes do corpo e da casa, bem como produtos inexistentes anteriormente, como os cremes para pentear e os limpadores específicos para banheiro.
A vertente mais marcante nos anos 2000 tem sido a sustentabilidade, principalmente com a substituição de tensoativos  com maior percentual de matérias-primas de origem vegetal e a redução de uso de tensoativos cuja biodegradação possa gerar resíduos deletérios ao meio ambiente.

Fonte: Tensoativos: Química, propriedades e aplicações
Daltin, Decio

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Morfofisiologia Capilar



Os cabelos constituem a aparência e conferem forte impacto sociocultural. 

- Folículo Piloso

O Folículo Pilossebáceo é uma estrutura bastante organizada e complexa, constituída pelo folículo piloso, que produz a haste capilar, e pela glândula sebácea. Existem três tipos de pelos: lanugo, vellus e terminal, eles tem o mesmo princípio de formação apesar de terem estruturas e pigmentação diferentes.


- Haste Capilar

O formato da haste capilar é programado pelo bulbo, em particular pelo grau de simetria/assimetria axial da matriz capilar. 
A haste capilar é uma estrutura essencialmente lipoproteica sem vida. O cabelo terminal é composto por 3 camadas: cutícula, córtex e medula. 
A cutícula é a parte mais externa, que se constitui de células mortas achatadas, sobrepostas umas às outras.
A estrutura celular da cutícula é composta por 3 grandes camadas: a externa, epicutícula, que é rica em cistina, (aminoácido que contém grande quantidade de enxofre), e ácidos graxos; a exocutícula, que também contém cistina; e a endocutícula interna, desprovida de enxofre. A cutícula protege o córtex contra traumas, desde o simples ato de pentear e lavar os cabelos, mas sobretudo nas partes mais distais do fio, a falta de cutícula nessa região ocasiona a tricoptilose. 
Ela também age como uma barreira protetora para produtos químicos. 



A resistência do cabelo é dada pelo córtex. Porém, uma cutícula intacta é necessária para a proteção da área interior da haste capilar. 
Conceito

                                Foto: Divulgação

A cosmetologia é uma atividade multidisciplinar que envolve conhecimentos de física, química, biologia, etc., e pode ser definida como sendo uma ciência que estuda os cosméticos, desde o briefing (concepção de conceitos), até a aplicação dos produtos. São estudados pesquisa de novas matérias-primas, tecnologias, desenvolvimento de formulações, produção, controle de qualidade, toxicologia, eficácia de produtos e matérias-primas e legislação sanitária.

O uso de produtos para beleza é datado desde os tempos mais remotos, há relatos de uso de cosméticos  de pelo menos 30.000 anos, da Pré-História (Paleolítico Superior, Neolíticos), passando pela Antiguidade (Mesopotâmia, Egito, Creta, Grécia, Império Romano), e Idade Média (Oriente, Ocidente), seguindo até os dias atuais.   
Tricoptilose


Esse é o termo técnico para as famosas "pontas abertas".

As pontas enfraquecidas se afastam e formam um "Y", e nesse caso chamamos de pontas duplas.

Existem 10 categorias para pontas abertas:

- Baby - Primária - Profunda - Incompleta - Duplo Y - Tripla - Árvore - Pena - Longa - Cone



As pontas por serem mais velhas do que o restante dos fios, consequentemente sofrem danos maiores e a força do pentear é mais intensa sobre elas.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Curso Técnico em Cosméticos - Desvendando a Cosmetologia




O curso é direcionado á profissionais da área da beleza, estudantes da área de química, farmácia, representantes e distribuidores de produtos cosméticos que desejam se aprimorar no assunto, obtendo maior conhecimento da elaboração das formulações cosméticas de modo geral.

Programação

- História da Cosmetologia
- Legislação - Mercado Cosmético
- Fisiologia da Pele
- Fisiologia da Unha
- Iniciação a Tricologia
- Introdução á Química Orgânica
- Introdução á Bioquímica
- Introdução á  Toxicologia
- Introdução á Microbiologia
- Insumos Cosméticos - MP's
- Desenvolvimentos de Projetos
- Formulações (Skin Care, Hair Care e Make)
- Controle de Qualidade - CQ
- Estabilidade 
- Segurança e Eficácia
- Cases de Sucesso

Docentes 
O curso será ministrado por profissionais altamente qualificados, (químicos, farmacêuticos e tricologistas).

Suporte Técnico
Conte com a melhor equipe de suporte pós-curso.

Local: São Paulo - Capital
Datas: 06, 07, 13 e 14 de agosto de 2017
Horário: 08h30 as 18h

Maiores informações e inscrições: contato@edinalopes.com.br 

quarta-feira, 5 de abril de 2017



Sal no shampoo, faz mal?

A grande dúvida, gera em cima das seguintes questões:

- O shampoo com sal danifica o cabelo?

- O sal tem propriedades para promover mudanças na fibra capilar?

- O sal promove a alteração da hidratação na haste capilar?

- O sal determina ou não a durabilidade de um procedimento químico?

- Não, o shampoo com sal não danificada o cabelo, a função do NaCl na formulação do shampoo é promover sua viscosidade;

- Não, o sal não tem propriedade para promover mudanças na fibra capilar, essas mudanças só ocorrem quando o córtex é exposto a procedimentos químicos extremamentes alcalinos ou extremamentes ácidos;

- Não, o sal não altera o nível de hidratação da haste capilar, ele não se fixa na estrutura do fio por ser totalmente solúvel em água e a concentração de NaCl é uma fração infíma e somente uma quantidade exagerada poderia alcanilizar a formulação do shampoo;

- Não, o sal não determina a durabilidade de um procedimento químico no cabelo, a durabilidade será determinada pelo estado da fibra capilar pré procedimento, produto e técnica utilizada para o processo e tratamentos pós procedimento químico, etc.


A molécula de NaCl, principal constituinte do sal de cozinha, é um sólido iônico constituído por íons positivos e negativos. Quando diluído em água os íons separam-se na solução, onde se encontram rodeados pelas moléculas do solvente. Dessa forma ele é capaz de aumentar a viscosidade do produto através da interação com agentes tensoativos empregados, desde que os níveis salinos não ultrapassem certos limites.

O aumento da viscosidade de um shampoo é conseguido por duas maneias: modificando-se os parâmetros reológicos do sistema tensoativo-água, mediante a incorporação de amidas de ácidos graxos, ésteres graxos e eletrólitos (sais orgânicos e inorgânicos: cloreto de sódio, cloreto de amônio, cloreto de monoetanolamina, cloreto de dietanolamina, sulfato sódico, fosfato de amônio, disfofato de sódio e pentafosfato de sódio - os mais utilizados são cloreto de sódio e cloreto de amônio, e neste caso devemos ter cuidado para que o ponto de turvação do produto não se altere a níveis inaceitáveis), ou mediante a incorporação de substâncias hidrofílicas convencionais (derivados solúveis da celulose, polímeros carboxivinílicos e derivados da polivinilpirrolidona).

Outros agentes espessantes em uma formulação de shampoo podem vir a acrescentar na qualidade da formulação, além de promover viscosidade ao produto, esses agente podem apresentar outras funções coadjuvantes, tais como sobreengordurantes, estabilizantes de espuma, perolizantes, ou ainda ter a característica de formar uma película protetora no fio, reter a água e controlar a reologia.

Devemos considerar a viscosidade do shampoo como resultado da incorporação de amidas, eletrólitos, essências, ésteres graxos e todos os demais ingredientes que constituem a formulação e podem afetar a reologia do sistema tensoativo-água.